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MEMÓRIA

Senado homenageia os 122 anos da poeta Cora Coralina

Nascida na cidade de Goiás (GO), em 20 de agosto de 1889, Cora publicou seu 1º livro aos 76 anos

19 de agosto de 2011 às 17:15

O Senado comemora nesta segunda (22), a partir das 14h, os 122 anos de nascimento de Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas, a poeta e contista conhecida pelo pseudônimo de Cora Coralina. O requerimento solicitando a homenagem é de autoria do senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

Cora coralina nasceu na cidade de Goiás (GO), no dia 20 de agosto de 1889. Publicou seu primeiro livro - Poemas dos becos de Goiás e estórias mais - aos 76 anos de idade, embora tenha começado a escrever os primeiros textos aos 14 anos. Os escritos da adolescência e juventude eram publicados nos jornais da cidade de Goiás e também em outras cidades do estado. Naquele tempo, apesar de viver numa sociedade conservadora e machista, Cora era saudada como uma promessa literária.

A temática de seus escritos foi, desde os primeiros tempos, a história, os personagens e o cotidiano de sua região.

Depois da publicação dos Poemas dos becos de Goiás e estórias mais, em 1965, Coralina publicou, em 1976, Meu livro de cordel. Outras obras da autora são: Estórias da casa velha da ponte (contos); Meninos verdes (infantil); O tesouro da casa velha; A moeda de ouro que o pato engoliu (infantil); Vintém de cobre; e As cocadas (infantil).

Cora casou-se em 1910 com o advogado Cantídio Tolentino Bretas, com quem se mudou, no ano seguinte, para o interior de São Paulo. Passou 45 anos no estado, vivendo inicialmente no interior, em Avaré e Jaboticabal, e depois na capital, onde chegou em 1924. Nas primeiras semanas, teve que permanecer trancada num hotel em frente à Estação da Luz, uma vez que os revolucionários de 1924 pararam a cidade. Em 1930, presenciou a chegada de Getúlio Vargas à esquina da rua Direita com a praça do Patriarca. Um de seus três filhos participou da Revolução Constitucionalista de 1932, contrária a Getúlio.

Com a morte do marido, em 1934, Cora passou a vender livros como meio de sustentar os filhos. Em seguida, mudou-se novamente para o interior paulista. Na cidade de Penápolis, passou a vender linguiça caseira e banha de porco que ela mesma preparava. Transferiu-se em seguida para Andradina, até que, em 1956, retornou a Goiás, voltando a morar na casa velha da ponte, que habitaram em criança. Ali exerceu por muitos anos o ofício de doceira, pois pouco restara dos bens que sua família um dia havia possuído, até que uma queda limitou seus movimentos, obrigando-a a andar com o auxílio de uma muleta.

O mestre

Nessa casa, hoje um museu, Cora gostava de receber parentes, amigos e visitantes ansiosos por conhecê-la. Além da conversa amigável com a artista, os turistas se serviam sempre de algum doce ou quitute da casa, feitos sob a supervisão da própria doceira-escritora. Uma das frases que gostava de repetir a seus interlocutores: "Todos estamos matriculados na escola da vida, onde o mestre é o tempo".

Fonte: Helena Daltro Pontual / Agência Senado

 

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