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Entrevista com Mohamed Jadallah

Sindicalista palestino denuncia genocídio e fala da luta por sobrevivência

“Queremos que haja a possibilidade de convivermos juntos, de forma harmônica”

18 de agosto de 2014 às 14:43

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Foto: Gilson Sá

Era tarde de sexta-feira, 15, segundo dia de realização do Congresso Nacional dos Petroleiros (CONFUP), em Natal, quando Mohamed Jadallah chegou, pontualmente, ao local da entrevista. Presidente do Sindicato Geral dos Trabalhadores de Petróleo, Minas e Produtos Químicos da Palestina, ele estava ansioso, mas se mostrou completamente disponível para falar sobre o drama vivido por seu povo. Como muitos em seu país, Mohamed tem esperança de que a divulgação da situação vivida atualmente ajude a furar o cerco midiático, sensibilizando a comunidade internacional para que pressione Israel a fim de que cessem os ataques na Faixa de Gaza.

SINDIPETRO-RN: Quais as principais reivindicações da classe trabalhadora palestina?

MOHAMED – No momento, procuramos mobilizar a população da Palestina em busca do básico para o ser humano ter uma vida digna: paz, liberdade e democracia. Não temos isso, em virtude das restrições impostas por Israel ao nosso povo. Eles estão promovendo um verdadeiro genocídio e a mídia não mostra a realidade. A Palestina, hoje, está vivendo, inclusive, alterações na geografia, com deslizamentos e tremores, por causa dos bombardeios sofridos.

SINDIPETRO-RN: Qual a extensão do conflito em relação ao conjunto do território e da população?

MOHAMED – O conflito acontece somente em Gaza, mas repercute em outras cidades, para onde a população foge. Querem expulsar as pessoas de Gaza e tomar o território, mas o ideal seria que cada um vivesse em paz, em seu próprio país. Os palestinos na Palestina, e os israelenses em seu país. Mas não podemos, diante de tantas restrições impostas por Israel.

O nosso apelo é, principalmente, em nome das crianças palestinas e judias. Esse problema teve início em 1964, quando Israel tentou anexar terras palestinas ao seu território, não respeitando as delimitações estabelecidas pela Organização das Nações Unidas - ONU. Nós almejamos que alguma força externa interfira para que Israel aceite a paz, dando aos palestinos o que lhes é de direito.

SINDIPETRO-RN: Em que nível se dá a resistência palestina em relação ao poderio bélico de Israel?

MOHAMED – A força de Israel é absurda, principalmente porque recebe ajuda financeira de grandes potências. É algo exorbitante, mas, nós, independentemente da força, não vamos abandonar a nossa terra. Estamos arraigados aqui. Queremos que haja a possibilidade de convivermos juntos, de forma harmônica. Para isso, nossa estratégia é a paz. Existe, sim, uma resistência do povo palestino. Mas essa resistência é para que não seja massacrado por Israel.

SINDIPETRO-RN: Como o senhor avalia o posicionamento que vem sendo assumido pelo governo brasileiro?

MOHAMED – Acredito que o governo brasileiro, o povo, os trabalhadores, todos têm se manifestado da melhor forma possível. Somos muito agradecidos a todo apoio e solidariedade que têm sido oferecidos. Estão no melhor conceito. Não somente o Brasil, mas toda a América Latina.

SINDIPETRO-RN: Qual a importância da solidariedade internacional para a causa palestina?

MOHAMED – Acredito que este possa ser um meio para alcançarmos a paz. Espero que esta solidariedade do mundo sensibilize Israel para podermos ter paz na Palestina. Inclusive, espero que este vídeo (a entrevista completa foi gravada) seja uma forma de divulgarmos mais nossa história para o mundo, ajudando-nos a dar um fim à guerra.

SINDIPETRO-RN: Que mensagem o senhor gostaria de deixar à categoria petroleira e ao povo brasileiro?

MOHAMED: Desejo êxito e progresso ao povo e aos trabalhadores brasileiros. Que caminhem sempre para frente!

(Da assessoria do SINDIPETRO-RN com tradução simultânea de Nádira Hazboun)

Leia, a seguir, a íntegra do discurso de Mohammed Jadallah no XVI CONFUP, realizado em Natal, no período de 14 a 17 de agosto... 

Companheiro João Antônio de Moraes, companheiros da CUT e da CTB, companheiros presentes a este XVI CONFUP, permitam-me transmitir a vocês as saudações do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, desejando sucesso a todos.

E também transmito as saudações dos trabalhadores palestinos, demonstrando a nossa enorme felicidade pela presença hoje com vocês, na celebração dos 21 anos de fundação da FUP nesta terra amiga, que é o Brasil.

Nós admiramos muito a experiência dos sindicatos brasileiros e da Federação Única dos Petroleiros. E vemos as suas conquistas sindicais como honra para a classe trabalhadora em todo o mundo.

Amigos aqui presentes, agradecemos a vocês, trabalhadores e povo brasileiro, e agradecemos ao governo pela firme posição a favor do povo palestino e contra as recorrentes práticas desumanas de Israel, que rasgam corpos de inocentes crianças, pois essas práticas nazistas, cheias de ódio e de maldade e contra a paz na região, causaram os atuais crimes contra os palestinos na Faixa de Gaza e Cisjordânia. Resultaram até agora na morte de dois mil civis, sendo 430 crianças, 243 mulheres, 79 idosos e 10 mil feridos. Além de dez mil casas completamente destruídas e 20 mil danificadas.

Caros amigos, neste momento não há água, não há remédios, nem alimentos, nem leite, nem roupas para as crianças, pois a destruição provocada por Israel foi pior do que terremotos e tornados.

Companheiros e companheiras, o povo palestino, seus trabalhadores, agricultores e intelectuais estão seriamente comprometidos com o processo de paz, que é baseado na desocupação completa de todas as terras palestinas tomadas em 1967, no direito da autodeterminação e soberania e na criação do Estado Palestino e sua capital Jerusalém Oriental.

Pois este é o único caminho que garante a paz e a estabilidade na região.

Amigos, a construção de colônias na Palestina viola a legislação internacional e a quarta Convenção de Genebra, pois esta invasão das terras palestinas torna impossível o acesso à água e à agricultura, que gera desemprego e pobreza.

Companheiros e companheiras, a recusa do governo de Israel em desocupar as terras palestinas tomadas em 1967 é o verdadeiro motivo do fracasso do processo de paz.

A punição coletiva, como bloqueios de cidades, destruição de casas, construção de colônias, construção do muro da separação, prisão de milhares de palestinos, são práticas que levam o mundo inteiro a acreditar que o governo de Israel não tem interesse na estabilidade e nem na paz.

Nós esperamos e queremos paz, que garanta a retirada completa dos territórios ocupados em 1967, a criação do Estado Palestino, com Jerusalém Oriental como capital, conforme as decisões das Nações Unidas, a libertação de todos os presos políticos dos presídios de Israel, a solução justa para os refugiados.

Enfim, peço a esse congresso de petroleiros da FUP ver a possibilidade de nos apoiar financeiramente para podermos alegrar nossas crianças e suas famílias, atingidas pelos ataques de Israel.

Obrigado e sucesso para o Congresso.

Mohammed Jadallah, presidente do Sindicato Geral dos Trabalhadores de Petróleo, Minas e Produtos Químicos da Palestina.

 

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