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Acidente PUB III

SINDIPETRO-RN aponta falhas na apuração de acidente e Petrobras se pronuncia

Sindicato pede uma apuração mais rígida e apoia decisão do diretor da comissão em não assinar relatório

15 de março de 2012 às 11:00

Em 26 de dezembro de 2011, na PUB-3, uma falha crônica num guindaste mecânicos de modelo HR provocou o movimento brusco do equipamento levando os três petroleiros que estavam à bordo da cestinha caírem de uma altura aproximada de 6 metros. O acidente vitimou fatalmente o técnico de segurança Aldo Dias, e deixou dois feridos, o mecânico Francisco Wilson Vieira e o técnico de operação Pedro Leopoldo da Silveira Neto.

O diretor do SINDIPETRO-RN, representante na comissão instaurada pela Petrobras para averiguar as causas do acidente, decidiu não assinar o relatório elaborado nesta oportunidade. Segundo ele, justificando sua atitude, o documento estava repleto de falhas, omissões de eventos e equívocos quanto à distribuição dos fatos que contribuíram para o acidente por relevância.

Em Nota Oficial, de acordo com a análise do nosso representante responsável para acompanhar o caso e após perceber que a intenção da empresa é de interditar o guindaste apenas em junho de 2012, encaminhada no dia 7 de janeiro de 2012, ao Gerente Geral da UO-RNCE, Luiz Ferradans, o sindicato enumera os pontos que mereciam maior atenção por parte da equipe de investigação, sustentando que vários pontos precisam ser revistos, veja quais foram:

01- A Comissão de Investigação cometeu vários equívocos metodológicos durante os trabalhos de investigação, tais como: não realizou reconstituição do acidente com a presença das testemunhas e envolvidos; o único operador de guindaste ouvido foi o envolvido no acidente; a tripulação e o comandante da embarcação Penedo que testemunhou a ocorrência não foi ouvida; não foi coletada amostra do material contaminante presente nas embreagens de giro do guindaste para análise em laboratório (o que poderia determinar, de forma cientifica, a composição do material e ‘lançar luz’ sobre sua origem); não foi feito laudo técnico adequado do equipamento e de suas condições de funcionamento (prova disso foram as falhas que o equipamento voltou a apresentar); não foi levantado adequadamente histórico de falhas desse tipo de guindaste; não foi visitado ou analisado outros guindaste semelhantes etc;

02- O relatório da Comissão apresenta falhas na identificação de causas básicas. A Comissão não classificou a obsolescência do guindaste como uma das principais causas básicas, preferindo classificar apenas o mecanismo de embreagem como obsoleto e não todo o equipamento. Falhas na sistemática de Permissão para Trabalho (PT), também são apresentadas como causa básica considerando que a PT deveria prever a proteção das embreagens do guindaste quando de serviços de esmerilhamento nas proximidades, minimizando a importância de um volumoso e crônico vazamento de óleo lubrificante no equipamento e sem o qual o acidente não teria ocorrido;

03- O relatório da Comissão apresenta supostas falhas do operador como relevantes. Se o operador do guindaste ligou o motor do equipamento com ou sem a embreagem geral engatada, essa possível falha operacional contribuiu pouco para o acidente. Já que mesmo que a embreagem geral fosse engatada, apenas depois de ligado o motor, o giro descontrolado do guindaste ocorreria, ainda que em menor velocidade. Nessa condição o tempo de reação do operador aumentaria 3 ou 6 segundos apenas. Vale salientar que o novo manual do guindaste não prever orientações de operação do equipamento;

04- As falhas de manutenção não recebem a devida importância no relatório. O plano de manutenção existente não era realizado; as modificações feitas no equipamento aparentemente não foram adequadas; a manutenção feita no mar do Ceará, que também integra a UO-RNCE, aparentemente era melhor, mas o relatório não explica isso.

05- Os problemas e falhas do resgate não aparecem no relatório da comissão. Porque o heliponto não estava operacional? Porque o Sr. Aldo Dias não foi desembarcado na embarcação Penedo com o uso da maca offshore? Porque não havia uma segunda cesta de transbordo em PUB-3? Porque a Marimar foi a embarcação escolhida para transporte dos acidentados? Porque não há um plano de resgate adequado? Porque não há enfermaria em Pescada? Porque faltou recursos médicos de socorro como um guia para intubação? Porque faltou monitor cardíaco? Se o acidente tivesse ocorrido em uma Caisson como seria o resgate?

06- O relatório do acidente se limita estreitamente a ocorrência e não analisa todo o sistema de transbordo de passageiros como seria a metodologia adotada internacionalmente;

07- Cópias do relatório da Comissão não foram entregues ao SINDIPETRO/RN. A participação do SINDIPETRO/RN na comissão é desrespeitada quando uma cópia do documento da comissão que integrou não lhe é entregue.

Ainda no documento, o sindicato questionou o fato de não terem sido entregues à esta entidade cópias do relatório, o que considerou um desrespeito.  O SINDIPETRO-RN cobrou ainda, da Petrobras, um plano de ação efetivo para prevenir novos acidentes, além das medidas imediatas como a melhora nas condições de transbordo e operacionalização do heliponto da PUB-3.

Durante uma visita à PUB-3 no dia 8 de fevereiro deste ano, a Equipe da área de Petróleo do Ministério do Trabalho e do Emprego – TEM interditou o guindaste com defeito o qual ocasionou o acidente que matou o técnico de segurança da Petrobras, Aldo Dias. Para o grupo de Auditores Fiscais a medida extrema foi tomada por considerarem que o uso do equipamento significa um grave e iminente risco à segurança aos trabalhadores.

Em resposta ao documento referido, a Petrobras enviou, no dia 27 de fevereiro, uma resposta ao diretor do SindipetroRN, Márcio Dias. Veja o que diz o documento da companhia:

 

 

 

 

 

 

 

O SindipetroRN teve uma reunião com a gerência para definir uma agenda sobre o assunto. A agenda ficou assim: Dia 28/03 às 9hs na Sede da Petrobrás em Natal haverá uma reunião onde a Gerência irá apresentar as medidas que estão sendo tomadas, e no dia 29/03 O SindipetroRN fará um embarque para inspecionar as plataformas, notadamente o guindaste da PUB III.

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