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Insegurança na Petrobras

Trabalhadores cobram revisão da Política de Segurança da Petrobras

Reunidos em Assemleia, Petroleiros realizam ato em memória de Aldo Dias e exigem um basta à insegurança na estatal

27 de janeiro de 2012 às 16:43

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Foto: Jana Sá

Protesto e atraso no embarque das plataformas do Rio Grande do Norte marcaram o ato em memória do técnico de segurança da empresa, Aldo Dias de Lima, morto em acidente de trabalho na Plataforma Ubarana III da Petrobras (PUB-03), a 165 quilômetros de Natal, na região de Guamaré, em 26 de dezembro de 2011.

“O acidente reacende a discussão sobre a necessidade de revisão na política de segurança nas unidades de produção da Petrobras”, avalia o coordenador-geral do Sindipetro/RN, Márcio Dias. Para o sindicalista, a preocupação com a segurança não têm crescido na mesma proporção em que aumenta a produção de petróleo e, por conseqüência, as atividades no setor. “Não dá para acelerar a produção sem levar em conta a segurança. A sequência de acidentes está aí para demonstrar que o sistema não é seguro”.

Reunidos em assembleia no último dia 26 de janeiro, cerca de 70 trabalhadores do Sistema Petrobras discutiram a política de segurança da estatal e aprovaram, por unanimidade, documento com a plataforma de reivindicação para o Ativo Mar. Os petroleiros cobram da estatal a apresentação e execução de ações que a categoria considera necessárias para garantir as condições de segurança e proteção à integridade e à saúde dos trabalhadores.

O debate e aprovação do documento acontecem um mês após a realização de uma reunião do Sindipetro/RN com diretores dos principais setores da Petrobras no Estado, além da gerência Executiva do E&P, que objetivou discutir maneiras de se melhorar as condições de embarque dos petroleiros nas plataformas. Na ocasião, a empresa se comprometeu em adotar medidas imediatas e futuras relativas à segurança nas áreas, principalmente, em relação ao transporte de pessoas na área marítima e ao socorro imediato nestes locais. Entre os pontos de reivindicação, a abolição da cesta como meio de transporte de pessoas, a recuperação dos helipontos e socorro aeromédico. Contudo, até a presente data, nenhuma ação foi realizada.

“As plataformas estão operando há muito tempo, necessitam de reformas urgentes e de manutenção periódica”, explica Dias, indicando uma série de problemas com equipamentos de segurança.

Ao protestarem contra a insegurança que tem tornado os acidentes de trabalho uma rotina na empresa, os petroleiros denunciaram negligência e irregularidades nas plataformas do Rio Grande do Norte. Passado um mês do acidente, há um clima de medo entre os trabalhadores, que temem a ocorrência de novos acidentes no local.

Há denúncias de que o guindaste onde ocorreu o acidente continuou a operar durante as duas semanas seguintes, e apresentou novas falhas durante este período.  “Isto é fruto de uma gestão equivocada e autoritária”, ressalta o Diretor do Departamento de Imprensa do Sindicato, José Araújo.

Para Araújo, a política da Petrobras é reduzir custos e aumentar a produção e não visa o ser humano. “Os acidentes continuam a acontecer em grandes números e as unidades da Petrobras, sobretudo as plataformas, estão em situação de penúria”, avalia.

Ao expor o papel do sindicato em impulsionar e organizar a luta da categoria, o sindicalista defendeu que a busca por um ambiente de trabalho seguro e saudável deve ser coletiva e priorizada por todos os petroleiros, próprios e terceirizados. Araújo ressaltou ainda, que o “direito de recusa é garantido em acordo coletivo e é um instrumento poderoso para se contrapor à política de insegurança da Petrobras”.

Plataformas e refinarias de petróleo são ambientes de trabalho que apresentam muitas situações de perigo para os trabalhadores. “Nas plataformas, a insegurança é constante, principalmente em consequência das condições precárias de manutenção, que expõem constantemente os trabalhadores a riscos”, afirmou Márcio Dias ao falar da resistência da Petrobras e das empresas privadas do setor em atenderem as reivindicações da categoria sobre saúde e segurança.

As regras e exigências para manter boas condições de segurança em plataformas de petróleo e estruturas de apoio estão descritas no Anexo II (Portaria da Secretaria de Inspeção do Trabalho - SIT nº 183, de 11-5-2010) da Norma Regulamentadora nº 30 - Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário. Contudo, para os petroleiros, as normas resultantes de longas discussões entre representantes dos trabalhadores da categoria, empresários e governo, em comissões tripartites, são desconsideradas pela estatal. Notícias sobre acidentes de trabalho em  plataformas de petróleo são cada vez mais constantes. Para conferir, basta uma busca simples em sites de pesquisa da rede mundial internet.

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