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INDIGESTA

Trabalhadores de campo reclamam de mudança na alimentação

Implantação de um cardápio saudável deveria, no mínimo, levar em conta a opinião dos trabalhadores

28 de junho de 2012 às 16:05

Trabalhadores lotados no Canto do Amaro e no Riacho da Forquilha estão reclamando, de forma generalizada, das mudanças que foram introduzidas na alimentação que lhes é servida: além da rejeição ao sabor, queixam-se de que seriam mal preparadas. A Petrobrás afirma que o fato nada tem a ver com uma recente mudança no contrato de prestação dos serviços ou com a política de redução de custos. Bem ao contrário. Alega que o novo cardápio é nacional e que visa à saúde dos empregados.

Cena – Ao chegarem à área do Canto do Amaro para uma reunião sobre a campanha da PLR e a organização do 27º Congresso, diretores do Sindipetro-RN depararam-se com uma cena incomum: um debate envolvendo trabalhadores, representante da empresa, médico e nutricionista. Em pauta, as mudanças pelas quais a alimentação servida aos trabalhadores estaria passando.

Ao fazer uso da palavra, o médico sacou uma apresentação recheada de gráficos que seriam baseados nos exames médicos periodicamente realizados pelos petroleiros. Com base neles, afirmou que a categoria estaria enfrentando problemas com obesidade e sobrepeso, e, também, com o descontrole de taxas, como o colesterol.

Em seguida, apoiando-se na explanação do médico, o representante da Petrobrás interveio para informar que, com base na legislação vigente e no ACT, a companhia elaborara um cardápio nacional, e que isso nada teria a ver com políticas de redução de custos. Por último, falou a nutricionista, justificando as mudanças, e afirmando que uma alimentação saudável, inclusive, é mais cara. Na base de Riacho da Forquilha, os diretores do Sindicato ouviram as mesmas reclamações.

Forma – Além de exigir o oferecimento de uma alimentação saudável para os trabalhadores, o Sindicato sempre reivindicou a existência de nutricionistas nos quadros da empresa. Por isso, ainda que a cena descrita pareça insólita, não é ela, propriamente, que deve ser questionada. O que os trabalhadores levantam e – com toda a razão – é que uma alimentação saudável não precisa, necessariamente, ser sem sabor, ou parecer mal preparada – se é que não é.

Mais do que isso: o cardápio é nacional, mas a cultura, os hábitos, os costumes são regionais. A merenda escolar, por exemplo, há muitos anos é regionalizada. A implantação de um cardápio saudável, portanto, deveria, no mínimo, levar em conta a opinião dos trabalhadores, sem desconsiderar que, para que venha a ter resultados efetivos, também precisa ser acompanhada de um processo de reeducação alimentar.  Nas circunstâncias atuais, o que tem acontecido é o inverso do esperado. Os trabalhadores têm optado por saírem na hora do almoço. Afinal, toda imposição é indigesta!

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