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Tribuna do Norte: Usina encerra operação comercial

05 de outubro de 2015 às 14:03

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Foto: Stéferson Faria

Valdir Julião – Repórter

A Petrobras Biocombustível no Rio Grande do Norte confirmou, ontem, o fim da operação comercial da Usina de Biodiesel de Guamaré, a 173 quilômetros a noroeste de Natal. Através de nota, a empresa informa que “o foco exclusivo da unidade voltará a ser a pesquisa e o desenvolvimento tecnológico para a produção de biodiesel”.

A decisão, segundo a companhia, foi tomada após uma avaliação detalhada do desempenho da unidade desde que passou a operar comercialmente a partir de junho deste ano. Não foram divulgadas mais informações sobre esse desempenho.

De acordo com dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a autorização para a entrada em operação da Usina de Biodiesel de Guamaré saiu no “Diário Oficial da União” (DOU) de 13 de fevereiro deste ano, enquanto a autorização para comercialização foi publicada em 13 de maio.

O Boletim Mensal da ANP informa que a unidade estava autorizada a produzir 56 metros cúbicos de combustível por dia.

Já em relação ao último leilão realizado pela ANP, o de número 44, a Petrobras Biocombustível havia se habilitado a negociar 1.010 metros cúbicos de biocombustível, no valor total de R$ 2.526.000.

Usina de biodiesel em Guamaré: Unidade deixa de participar de leilões e terá atividades exclusivamente de pesquisa e desenvolvimento tecnológico para a produção

A usina de biodiesel de Guamaré foi construída em 2006, para o desenvolvimento de pesquisas voltadas para a produção de biodiesel, possuindo pequena capacidade de produção. “A unidade deixará de participar dos leilões da ANP, mas fará todas as entregas acordadas no último certame. A equipe de cinco empregados será alocada em outras unidades da companhia”, diz ainda a Petrobras, por meio de nota divulgada através da assessoria de imprensa.

Repúdio
O Sindicato dos Petroleiros no Rio Grande do Norte (SINDIPETRO-RN) manifestou “repúdio” à decisão da Petrobras de encerrar as atividades da usina. “Além de causar perplexidade e repulsa na sociedade, a determinação amplia ainda mais o sentimento de indignação da categoria petroleira norte-rio-grandense com a orientação gerencial que vem sendo imposta pelo atual Conselho de Administração da companhia, eleito em abril”, diz o Sindicato, em nota.

Segundo o Sindicato dos Petroleiros, a usina de biodiesel atravessou longo período em fase experimental e, depois de realizar uma série de obras e adaptações que totalizaram investimentos estimados em pelo menos R$ 5,1 milhões, a unidade recebeu da ANP as autorizações para operar (fevereiro) e comercializar (maio) a produção.

A partir de então, a planta de biodiesel começou a ter uma utilização mista, com foco no mercado, mas sem deixar de desenvolver pesquisas para o desenvolvimento tecnológico na área de biodiesel.

O Sindicato informou que a usina tinha capacidade para produzir 20,1 milhões de litros de biodiesel por ano, e até a quarta-feira (30), vinha operando com óleo de algodão semirrefinado e óleo de soja refinado, adquiridos nos Estados do Ceará e da Bahia, já que a produção potiguar de mamona e girassol foi duramente afetada pela seca.

A direção da Unidade, entretanto, mantinha entendimentos com o Governo do Estado do RN a fim de que fossem desenvolvidas, em âmbito local, cadeias de suprimento de oleaginosas para dar suporte às atividades produtivas.

- O quê?

O biodiesel é um combustível produzido a partir de óleos vegetais ou de gorduras animais.

- Como?

Dezenas de espécies vegetais no Brasil podem ser usadas na produção, entre elas soja, dendê, girassol, babaçu, amendoim, mamona e pinhão-manso.

- Por quê?

Além de contribuir para a diminuição da dependência do diesel importado, o biodiesel traz outros efeitos benéficos o incremento a economias locais e regionais. Também tem efeito positivo para o meio ambiente, já que acarreta na diminuição das principais emissões de gases veiculares em comparação ao diesel derivado do petróleo.

Sindicato critica decisão e avalia efeito

Para o SINDIPETRO-RN a decisão da Petrobras vai de encontro ao discurso da presidente Dilma Rousseff, que em Conferência da ONU para a Agenda de Desenvolvimento Pós-2015, em Nova York, anunciou que, até 2030, o Brasil pretende garantir um total de 45% de fontes renováveis em sua matriz energética, com a participação de 16% de etanol carburante e das demais biomassas, neste total.

O SINDIPETRO-RN avalia que sob o argumento da necessidade de redução do endividamento e de aumento da remuneração dos acionistas, vai se desenhando um modelo de empresa segmentada, focada na produção e exportação de óleo cru, “sem qualquer preocupação com a promoção e geração de mais empreendimentos e empregos de qualidade no País, fazendo com que economias locais em que a indústria do petróleo tenha peso significativo, como a do Rio Grande do Norte, sejam duramente atingidas”.

Antes da decisão de fechamento, a Usina de Guamaré já processava 30 toneladas/dia de matéria prima e, pela capacidade instalada, teria potencial para aquisição de 20 mil toneladas/ano de óleo vegetal e gordura animal.

30 - Toneladas/dia de matéria-prima. É a capacidade instalada da usina.

Fonte: Tribuna do Norte

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