Pular para o menu
1320759797

Tribuna: Petroleiros ameaçam fazer greve

08 de novembro de 2011 às 10:43

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) informou ontem que os trabalhadores da Petrobras e subsidiárias rejeitaram nas assembleias a contraproposta apresentada pela empresa no dia 31 de outubro e aprovaram greve por tempo indeterminado a partir do dia 16, com parada e controle de produção. O coordenador geral do Sindicato dos Petroleiros do Rio Grande do Norte (Sindipetro RN), Márcio Dias, disse que a tendência, no Estado, é seguir o movimento, mas a decisão sobre uma possível paralisação só será tomada na próxima sexta-feira, para quando estão programadas assembleias dos trabalhadores.

Uma eventual greve, segundo Márcio Dias, interromperia a produção, mas não prejudicaria a população. "Queremos uma greve forte, com parada de produção. Temos muito claro, entretanto, que não vamos deixar faltar gás de cozinha. Não vamos penalizar a população. Mas o gás para as indústrias, por exemplo, seria atingido", disse o sindicalista, em entrevista à TRIBUNA DO NORTE.

Os trabalhadores se dizem insatisfeitos com as propostas da Petrobras nas rodadas de negociação com a categoria. Segundo nota da FUP à imprensa, nas sete rodadas de negociação, a empresa "desprezou as principais reivindicações sociais da categoria, principalmente no que diz respeito à saúde e segurança, demonstrando que não se preocupa com a vida nem com a família de seus trabalhadores".

Os petroleiros reivindicam uma revisão da política de segurança, aumento de efetivos, melhoria nos benefícios, igualdade de direitos para combater a precarização do trabalho terceirizado, fim das práticas antissindicais, 10% de ganho real, entre outros itens. Desde o dia 19 de outubro, os trabalhadores da Petrobras têm realizado uma série de mobilizações nacionais.

A FUP argumenta que a "defesa da vida" é o eixo principal da campanha dos petroleiros este ano, quando 16 trabalhadores morreram em acidentes na Petrobras, dos quais 14 terceirizados. Desde 1995, segundo a FUP, 310 trabalhadores morreram em acidentes na Petrobras e subsidiárias. No dia 06 de setembro, a FUP e seus sindicatos apresentaram diretamente à presidência e à diretoria da Petrobras as propostas dos trabalhadores para uma nova política de segurança. Nenhuma ação concreta foi realizada pela empresa até agora.

"Sexta-feira vai ter reunião com todos os sindicatos e vamos definir os encaminhamentos que vamos dar. Estamos sustentando que a proposta da Petrobras é insuficiente. Queremos uma nova política de segurança. Estamos querendo reabrir a discussão sobre plano de cargos e salários, estamos com divergência em relação ao  reajuste. Enquanto a Petrobras oferece ganho real de até 1,65%, reivindicamos 10%. Estamos falando da empresa que mais cresce no mundo", disse Dias.

Procurada pela reportagem, a Petrobras limitou-se a informar que apresentou às entidades sindicais propostas de cláusulas econômicas e sociais para o Acordo Coletivo de Trabalho 2011. Além de um reajuste de 9% e gratificação de 90% de uma remuneração, a empresa diz propor avanços em itens relacionados ao plano de saúde e previdência dos empregados, condições de saúde e segurança, entre outras. A estatal não comentou os efeitos de uma possível paralisação.

Fonte: Tribuna do Norte

Compartilhar: