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Mossoró - RN

Vereadores debatem desemprego no setor petrolífero

Retração de investimentos da Petrobrás preocupa toda a região oeste e mobiliza a sociedade

08 de abril de 2013 às 16:27

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Foto: Arquivo

Identificar causas, dimensionar efeitos e propor alternativas de enfrentamento para o problema do desemprego no setor petrolífero do Rio Grande do Norte. Estes são os principais objetivos da Audiência Pública que a Câmara Municipal de Mossoró promoverá, na próxima sexta-feira, 12/04, a partir das 15 horas. A iniciativa, que teve o SINDIPETRO-RN como um dos principais articuladores, conta com o apoio de várias entidades sindicais e populares, e vem despertando crescente interesse de empresários e lideranças políticas, preocupados com os desdobramentos da crise na economia local.

Na região, o crescimento do desemprego vem sendo percebido desde 2012. No Sindicato dos Petroleiros, entre janeiro/12 e março/13, foram homologadas 1.123 demissões de trabalhadores e trabalhadoras de empresas contratadas da Petrobrás. Na construção civil, entre outubro/12 e fevereiro/13, o sindicato da categoria estima terem sido 1.500. Já, no setor de transporte rodoviário, segundo informa o SINTROM, foram 256 demissões de trabalhadores terceirizados nos últimos 13 meses, sendo que, em 12 empresas abrangidas pela entidade há trabalhadores sob Aviso-Prévio.

Retração – Para o SINDIPETRO-RN, a principal causa do aumento do desemprego é a retração de investimentos da Petrobrás. Segundo informações relatadas por diretores da entidade, vários empresários têm se queixado de que a Companhia está tentando impor rebaixamento de valores como condição para a renovação de contratos. O resultado é a tentativa de manter a prestação de serviços com custos menores, o que tem levado à diminuição de vagas e à precarização das condições de trabalho, ou, simplesmente, à desistência da empresa de estender o contrato.

Para o coordenador geral do SINDIPETRO-RN, José Araújo, a diminuição do volume de investimentos da Petrobrás no RN atende a um modelo de gestão que interessa principalmente aos grandes acionistas privados. E, no entendimento do coordenador, dois programas da Companhia revelam essa lógica, característica da gestão Graça Foster: o PROCOP e o PROEF. Conforme explica o blog “Fatos e Dados”, editado pela Petrobrás, o Programa de Otimização de Custos Operacionais (PROCOP) tem por objetivo reduzir custos na ordem de R$ 32 bilhões, no período de 2013 a 2016.

Já, o Programa de Aumento da Eficiência Operacional (PROEF) busca elevar o índice de eficiência da UO-Rio para 95%. Para tanto, o Programa incentiva técnicos e engenheiros de outras áreas a se transferirem para a Bacia de Campos (RJ). No RN, a estagnação das atividades da Petrobrás e a concessão de estímulos fizeram com que 204 profissionais se inscrevessem no Programa. Em todo o País, segundo José Araújo, foram 1.056 profissionais. Caso o número venha a se confirmar, o RN deverá ser o Estado com maior contingente de mão de obra própria deslocado para áreas do Pré-sal.

Crise – Os efeitos da retração de investimentos e da diminuição da atividade produtiva da Petrobrás no RN levaram à criação do Fórum da Cadeia Produtiva do Petróleo. A articulação reúne empresários e representantes de entidades e instituições como o Banco do Nordeste, Sebrae, Redepetro, Senai e Sindicatos, mas o tema já não tem interesse restrito. A “crise”, como o fenômeno já vem sendo descrito pela mídia local, afeta diversos segmentos econômicos e preocupa toda a região oeste do Estado, que aguarda ansiosamente por um pronunciamento da Petrobrás.

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