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A loucura estratégica da Petrobras

Autor: 
André Araújo

A mídia baba ovo do oficialismo, liderada por Globonews repete de forma acrítica as lendas propagadas pelo comando da economia para justificar as maiores aberrações de seu projeto de alienação do Estado e desmonte do País

Por Andre Motta Araujo

 
 
No caso da Petrobras propaga-se, sem qualquer análise por essa mídia, que o plano é sair de todas as atividades “downstream”, ou seja, sequenciais à extração do óleo bruto, como transporte, refino, distribuição e petroquímica e se concentrar na extração de óleo cru. Isso é o contrário do que fazem as grandes empresas de petróleo do mundo.

1.A extração de óleo cru é o setor mais arriscado, mais volátil e mais especulativo da indústria de petróleo, pode ser o menos lucrativo, o barril de óleo cru está sujeito a grandes flutuações de preço e excesso de oferta, além de riscos políticos e ambientais.

2.Os setores de transporte, refino, distribuição e petroquímica são os mais estáveis e lucrativos da cadeia de petróleo. Todas as grandes estatais petroleiras estão fazendo o grosso de seus investimentos no refino e na petroquímica, caso da PEMEX com sua nova e grande refinaria em Tabasco, no México e a SAUDI ARAMCO que vai dobrar até 2023 sua atual capacidade de refino de três para seis milhões de barris/dia, tudo para agregar valor ao barril de óleo cru.

Quem tiver dúvidas consulte os relatórios anuais da Exxon, Chevron, Shell, Conoco Philips para ver onde está o foco de expansão dessas empresas, não é na extração de óleo cru e sim no “downstream” da cadeia de petróleo. O velho pioneiro John Rockefeller, nos primórdios da indústria do petróleo, tinha horror à extração porque achava muito arriscado e se concentrava no refino e distribuição, a partir daí criou a Standad Oil. Mais ainda, é o refino e a distribuição a “cash cow”, a produtora de caixa, de capital líquido diário, do capital de giro de toda a empresa. A extração exige muito investimento e demora para dar frutos, pode quebrar a empresa, o refino e distribuição criam capital de giro para toda a empresa, é dinheiro que entra a cada minuto todo o dia, não importa o preço do barril cru, é da distribuição que sai o custeio de tudo, até dos investimentos em extração, é o coração da petroleira.

Portanto, a Petrobras está na contramão da lógica e da tendência global da indústria de petróleo, desinvestindo onde devia investir e investindo em um campo muito arriscado e especulativo. Na mídia brasileira aceita-se qualquer bobagem que sai da linha oficial, não se faz reparos, não se questiona.

Prova dos nove: Se a BR Distribuidora é um setor do qual a Petrobras deve sair porque é ruim, como houve oferta de compra de quatro vezes mais de ações ofertadas? Se a distribuição de combustíveis é tão ruim a ponto da Petrobras sair, como há tantos interessados em entrar?

Outros mega chute: o preço do gás vai cair 40% depois da Petrobras sair do setor. De onde saiu isso, qual a evidência? Os Sardenbergs, Borges e cia. aceitaram e repetiram essa lenda. Mas qual a base técnica? É puro palpite, não tem nenhuma evidência. Investimentos em gás maturam em dez anos, só então vai poder se conferir os 40% de redução, tão verdadeiros como a baixa do preço das passagens aéreas quando se pagar por mala de bagagem.

Junto com o apagão gerencial na Petrobras há o apagão profissional da mídia econômica brasileira, que aceita toda bobagem como catecismo.