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Preços de combustíveis e o papel estratégico da Petrobras

Autor: 
Rodrigo Leão

Num cenário de crescimento do preço internacional do petróleo, os preços domésticos sofreram variações consecutivas.

Nos últimos doze meses, o preço da gasolina cresceu quase 15% e o do óleo diesel mais de 6%. Esse crescimento veio acompanhado de uma maior volatilidade do preço, isto é, as variações ocorreram continuamente até diariamente. 

Isso foi fruto de uma política adotada pela gestão da Petrobras em que os preços dos derivados na refinaria passaram a ser reajustados, quase que diariamente, considerando o preço internacional do petróleo, a taxa de câmbio e alguns custos logísticos. Com isso, qualquer mudança nesses preços relativos faria com que, imediatamente, o valor dos combustíveis fosse alterado no mercado interno.

Num cenário de forte crescimento do preço internacional do petróleo, os preços domésticos sofreram variações consecutivas. Além de onerar a população em geral, a nova dinâmica do preço – de volatilidade e aumento sucessivo – desorganizou a estrutura de custos de vários setores da economia, como o de transportes e alimentos. Numa situação em que uma transportadora fará uma viagem do Rio Grande do Sul até Sergipe, por exemplo, essa dinâmica inviabiliza qualquer previsão de custo do frete no que se refere aos combustíveis.

É evidente que esta política gera distorções graves para o mercado consumidor e industrial brasileiro. No entanto, qual seria a alternativa? Num país com um amplo parque de refino e autossuficiência em reservas de petróleo cru, seria possível que os reajustes fossem mais suaves, tomando como piso o custo de refino e como o teto o preço internacional. Ou seja, os preços poderiam variar nesse intervalo sem gerar prejuízos à Petrobras e, ao mesmo tempo, internalizar a volatilidade dos preços internacionais. Por conta do custo de oportunidade, não seria inviável manter o preço doméstico desassociado ao internacional, no entanto, ele não precisaria passar por reajustes contínuos.

Num país dependente de petróleo e sem um parque de refino, essa alternativa não seria viável, ou seja, este ficaria refém das importações de combustíveis e do preço internacional. Esse é um exemplo cabal do porquê a Petrobras, enquanto empresa estatal, é estratégica para o Brasil.

* Rodrigo Leão é mestre em desenvolvimento econômico (IE/UNICAMP). Atualmente, é diretor técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra (INEEP) e pesquisador visitante do NEC-UFBA. 

Fonte: Brasil de Fato

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